domingo, 29 de janeiro de 2012

Novidades técnicas para 2012


   
   As novas restrições para a posição de saída dos escapamentos para 2012 estão por nos trazer sistemas de exaustão muito mais simples em relação ao que se viu em 2011, como você pode ver na comparação. As saídas bem baixas de escapamento posicionadas sob o assoalho e desembocando no difusor não são mais permitidas. O resultado são escapamentos mais curtos e simples, com designs menos intrincados, com uma menor variação entre as equipes – porém nunca subestime a criatividade dos engenheiros da F1...



Como parte das medidas para tornar ilegais os difusores assoprados, a FIA impôs novas restrições no posicionamento dos sistemas de exaustão em 2012. Só é possível agora haver uma saída de cada lado do carro e numa perspectiva que deve estar entre o espaço pontilhado em amarelo demonstrado na imagem. Na prática, isso é um espaço de 700 milímetros de comprimento, 350 mm de altura (ler artigo de vista lateral do escapamento) e 300 mm de largura (entre 200 mm e 500 mm a partir da linha central do carro). Tendo em vista isso, os últimos 100 mm do cano devem ser completamente retos e arredondados, não podendo ser angulado a mais de 10° transversalmente relativo à linha central do carro.

Vista lateral
   Aqui você pode ver a vista lateral dos novos escapamentos de 2012. Como dito, só será permitida uma saída de cada lado do carro e que deve estar dentro dos limites da linha pontilhada mostrada aqui. Tendo 700 mm de comprimento (entre 500 mm e 1.200 mm a partir do eixo traseiro), 350 mm de altura (entre 250 mm e 600 mm acima do plano de referência) e 300 mm de largura (ler parte anterior com a vista superior do novo escapamento). Para completar, os últimos 100 mm do escapamento (seta vermelha) devem ser retos e arredondados e devem ser angulados entre 10° e 30° longitudinalmente.


 Para terminar este post, aqui temos uma visualização completa dos antigos escapamentos e dos novos a serem adotados em 2012. Revisando o que já foi dito, estes não podem ser mais posicionados no assoalho imediatamente a frente do difusor, ajudando o processo aerodinâmico (X vermelho), sendo posicionado mais a frente e em uma posição mais alta (seta preta). Além disso, o cano de escape deve ser reto e completamente redondo, sem divisões internas.








  SISTEMA DE FREIO - RENAULT:



Clique para ver com detalhes

   Em novembro de 2011 durante os testes de novatos realizados em Abu Dhabi, a Lotus (antiga Renault-Lotus) avaliou este sistema de suspensão reativo de altura. Foi projetado para ajudar a manter o carro equilibrado em sua altura durante o processo de frenagem, o que deve aumentar a estabilidade e consequentemente a aerodinâmica de todo o carro. O problema seria quanto ao ativar deste sistema, pois tirando a asa com DRS, nenhum dispositivo pode ser ativado pelo piloto de forma que influencie na aerodinâmica. Porém o sistema é completamente mecânico, e é ativado pelo torque do freio, não pelo piloto.

É reativa, não ativa. Como resultado desta explicação, o sistema da Lotus recebeu a aprovação inicial de Charile Whiting, ao passo que outras equipes tomaram conhecimento do sistema e começaram a esboçar suas versões. Cilindros hidráulicos adicionais (1) estão ligados ao movimento da pinça de freio, enquanto a ligação da suspensão de tipo push-rod não é mais rigidamente fixada, porém pode usufruir da liberdade de alguns milímetros do movimento (veja área em destaque amarela) para compensar a pressão que normalmente força a frente do carro para uma tendência understeer, com o bico do carro “mergulhando” e se perdendo no meio da curva, prejudicando o piloto. Se o sistema realmente funcionar, estará aqui a explicação breve de uma ideia a ser amplamente copiada em 2012. Porém vale lembrar que recentemente a FIA voltou atrás com investigações e por enquanto, o sistema que ainda nem foi estreado em uma corrida oficial, foi banido por alterar a aerodinâmica do carro.

Tradução livre dos artigos técnicos do site da F1.com. Não possuo as imagens e o conteúdo escrito acima. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ferrari F150


Clique para ver ampliado

    Vindo de uma temporada regular apenas para as exigências sempre vitoriosas, a Ferrari chegava para 2011 com a intenção mais do que esperada de conquistar o título. 2010 provou ser um ano onde a equipe conseguiu se recuperar do anêmico 2009 que vivera, com Alonso batalhando pelo título de pilotos até a última corrida.

A equipe em si continuava a mesma, mantendo a dupla de pilotos com Massa em seu sexto ano de equipe e Alonso em sua segunda temporada. Com o know-how adquirido durante o ano anterior, a Ferrari era promessa de desafiadora para a imbatível RBR. Para desafiar os taurinos e re-estabelecer as forças italianas, o time desenvolveu a 150th Italia, em homenagem aos 150 anos da unificação do país.

Analisando o bólido, obviamente se constava que as mudanças reparadas eram comparadas a F10, quanto às mudanças no regulamento. Numa rápida comparação era fácil ver que o bólido de 2011 detinha um monocoque e um bico mais elevados. A asa dianteira mostrava bastante evolução, sendo resultado dos desenvolvimentos durante a temporada anterior. Notava-se uma estrutura com três painéis principais, sendo o flap posicionado acima modificado no seu design em comparação a 2010.

Os dutos de freio mantiveram sua forma e posicionamento na dianteira, sendo arredondados, e direcionados levemente para baixo. Os suportes do bico que o conectavam a asa dianteira foram trabalhados em sua extensão com formas aerodinâmicas que guiavam o ar por debaixo do carro até o assoalho. Outra peça aerodinâmica com essa função eram duas hastes de fibra de carbono, que conduziam o fluxo de ar, entre as rodas dianteiras, num design inspirado na RBR.



Chegando ao centro do bólido, mas ainda embaixo, via-se o splitter aerodinâmico, que repartia o fluxo de ar para as laterais e para o chão do carro. Na metade da F150, era possível enxergar uma nova filosofia de design, com os sidepods (laterais) modificados, que ficaram mais altos e com entradas de ar para os radiadores menor, com formas meio quadradas semelhantes ao MP4-25 da McLaren, de 2010. A explicação para os sidepods mais elevados era quanto ao espaço para alocar componentes internos liberando espaço para o KERS.

Notava-se um prolongamento das laterais acima das entradas do radiador. As laterais caíam e tornavam-se compactas em seu design ao passo que se olhava para a traseira do carro, criando um pacote aerodinâmico traseiro bem acertado. O airbox (entrada de ar superior, acima do piloto) fora modificado, apresentando agora um design bem mais arredondado, como o da RBR, com o intuito de gerar o menor arrasto possível com a turbulência vinda do capacete dos pilotos.
Também de acordo com o regulamento, a barbatana de tubarão comum em 2010 foi substituída por uma mais convencional, como em anos anteriores. No geral, a F150 parecia uma versão encurtada da F10.

Chegando a traseira, via-se uma asa bem no padrão estabelecido pela Ferrari, com duas lâminas, e com detalhe para um pequeno recorte no painel superior. A novidade era quanto a flexibilidade da asa, que agora abria com o sistema DRS. Um pilar aerodinâmico de sustentação ao DRS era encontrado logo abaixo da asa, e do mais, as laterais apresentavam o mesmo toque Ferrari de anos anteriores, com um desenho acentuado, e com vincos aerodinâmicos nas laterais.

O difusor da F150 era novamente um inspirado pelo conceito já utilizado na F10 na segunda metade da temporada anterior, o difusor assoprado (blown diffuser), ainda que bem mais simplificado que a versão anterior visto o banimento dos difusores duplos.   




Detalhe da suspensão traseira
     Em temos mecânicos a F150 era um exemplar de mudanças para 2011. Começando pela dianteira, onde a suspensão fora drasticamente modificada para conectar as rodas ao chassis. Todos os braços eram agora mais angulados na parte superior para se ligarem aos pontos do carro. Outra mudança para 2011 foi a volta do KERS, e com ele mudanças na mecânica. As baterias do sistema foram colocadas abaixo do tanque de combustível. Na traseira, a Ferrari redesenhou a suspensão traseira. Enquanto a configuração push rod fora mantida, os pontos de ligação dos braços da suspensão foram movidos mais para frente, assim como os braços da dianteira são agora mais longos por sua vez.
Motor 056: saúde de sobra

Outra mudança considerável fora feita nos freios, onde o sistema fora completamente redesenhado em conjunto com a parceira de longo termo e fornecedora, a Brembo. Quanto aos motores, tendo em conta o congelamento do desenvolvimento, não houve modificações expressivas no motor 056. O que não condizia com o fato dos engenheiros da Ferrari que trabalhavam para melhorar a confiabilidade, especialmente trabalhando no sistema pneumático e na redução de custos de manutenção de materiais. Fora isto, a volta do KERS trouxe mudanças substanciais na arquitetura da frente do propulsor.

Para completar o pacote, o próprio sistema KERS em si, feito em sua base pela Ferrari em conjunto com a MTS e a Magnetti Marelli, ajustado finamente baseado na experiência inicial do sistema em 2009. Como era regra nos novos sistemas, o utilizado pela Ferrari fora feito com o intuito de ter o menor peso e tamanho para não afetar outros componentes e a aerodinâmica, enquanto preservava-se a intenção de gerar energia cinética para ser transformada em potência pelo motor.


A pré-temporada se mostrou “ok” para a equipe, que ainda esperava por um ano difícil, ainda que restassem certas dúvidas sobre o desempenho real dos rivais e da própria Ferrari. Ao começo da temporada, viu-se uma Ferrari desanimada, tomando cerca de 1,5 segundos da pole de Vettel com sua RBR. Muito desanimador para o pacote de mudanças implantado na temporada 2011, todavia um ritmo mais razoável e pareado aos dos líderes permitiu que a Ferrari se mantivesse em alguma briga. As três primeiras corridas foram difíceis, sem ao menos um pódio e com os rivais se distanciando na tabela do campeonato.

Mas a Ferrari sempre foi sinônima de grandeza, e a situação, ainda que de forma lenta, foi melhorando com o ano. Constatou-se desde o início a dificuldade do bólido construído para a temporada em aquecer os pneus Pirelli de composição diferenciada. Felipe Massa era o que mais sofria, principalmente ao ter de usar os pneus duros, alegando que a dificuldade de aquecer os pneus a uma temperatura estável dificultava o desempenho pelo fato do piloto não conseguir utilizar toda a capacidade da borracha.
Alonso mostrou por sua vez estar cada vez mais integrado com o time, conseguindo utilizar o máximo de sua “limitada” Ferrari na briga com McLaren e RBR. Dono de largadas inteligentes e ultrapassagens que compensavam a falta de velocidade de seu bólido, o espanhol conseguiu lograr êxito para as condições daquele ano difícil. O desenvolver da temporada viu uma Ferrari tímida em desempenho, sendo “prevalecida” com a escolha da Pirelli de pneus macios e super-macios para a maioria dos GPs depois de completa metade da temporada.


    Uma polêmica que de certa forma favoreceu o time italiano foi quanto ao banimento do difusor assoprado pelo sistema de escapamento, desenvolvido com sucesso pela RBR em 2011, garantindo muita vantagem. A votação da FIA baniu ainda no meio da temporada o uso daquele tipo de difusor, mesmo que muitas equipes já tivessem desenvolvido sua versão do mesmo. E justo no GP onde começaria a valer a nova regra, a Ferrari obteve sua primeira e única vitória em 2011. Dom Alonso vencera com luxo o GP da Inglaterra, gerando muita confusão e debate nos bastidores. Tudo porque a Ferrari sempre se queixara sobre a legalidade do difusor, até porque não conseguira fazer uma versão competitiva da peça.

A regra foi revogada, e o desempenho dos cavalinhos rampantes manteve-se apático como outrora, até o fim do ano, por sinal. Neste meio tempo, Alonso manteve os bons resultados conseguindo ficar perto dos líderes, enquanto Massa freqüentava posições mais intermediárias, se envolvendo em muitos acidentes, principalmente com Lewis Hamilton. O time desistiu de qualquer desenvolvimento para a temporada, focando com folga de tempo para 2012, prometendo o que não foi visto definitivamente em 2011.

Principais Updates:

Pacote geral: GP da Turquia

O GP da Turquia marcava o update expressivo para mudar a F150 desde que a equipe detectou diferença entre os dados obtidos no túnel de vento e a performance nas pistas. Na corrida, ambos os carros andaram com uma nova asa dianteira que possuía mudanças no design, e novos dutos de freio dianteiros, como é possível observar nas fotos.

Enquanto a base do design do centro e do endplate da asa mantiveram-se os mesmos, o design do flap perto da linha de centro do carro mudou, aumentando sua área para gerar downforce adicional na dianteira. E assim como a asa mudara, o fluxo de ar que seguia por ela também, resultando numa modificação no design dos dutos de freio. A entrada de ar para o sistema foi reposicionada para cima, diferente do design caído anterior. Outra mudança foi no material dos dutos, que antes eram feitos em materiais protótipos específicos e que a partir deste update passaram a ser feitos em fibra de carbono.


Novas asas traseiras: GP da Espanha

A Ferrari se dispôs a testar versões alternativas de sua asa traseira em Barcelona para reagir no campeonato com seus updates. Na parte superior direita da imagem aparece a versão utilizada no GP da Turquia, que contava com um design nos padrões de design da RBR, com um recorte na parte central da asa. As laterais da asa eram desenhadas com três slots para a passagem de ar, contando ainda com uma lâmina inferior bem curvada e pronunciada.

A nova versão, no topo a esquerda, apresentava uma lâmina inferior menor e consequentemente com um ângulo de curvatura muito inferior, enquanto o design curvado da base da lâmina fora substituído por uma versão plana.

E por último, o mais novo design naquele final de semana, construído sobre a versão utilizada na Turquia. Esta como facilmente pode ser visto na imagem, a mesma versão, porém com uma extensão na lâmina superior, que subia por cima das laterais da asa. Outra mudança era no recorte aerodinâmico no centro da asa. A formação da asa chamou a atenção de Charlie Whiting acerca da legalidade da peça, que fugia levemente os padrões das regras. A Ferrari a utilizou somente para testar variações e níveis de downforce no circuito catalão.


Nova asa dianteira: GP da Coreia

A Ferrari abandonara de vez o fraco 2011 para focar na próxima temporada. E isto refletia-se nos testes para novas asas dianteiras. Na Coreia o time apareceu com um novo exemplar, completamente diferente do padrão instaurado. As três lâminas principais foram substituídas por somente duas, em um conceito de design muito mais simples, apesar das curvas. As setas indicam as mudanças bem visíveis. A lâmina inferior ganhou um slot para a passagem de ar, que simulava uma terceira lâmina em termos de downforce. O interessante da asa eram os endplates diferentes, menores e mais simples, que aumentavam a largura da parte central da asa.

Dados:

Equipe: Scuderia Ferrari

Designers: Aldo Costa (diretor técnico)
                    Nicolas Tombazis (chefe de design)
                    Mario Almondo (diretor de operações)
                   Luca Marmorini (chefe de motores)

Dados técnicos:

Chassis: monocoque feito em composto de fibra de carbono

Suspensão: independente, barras de torção, ligas e braços feitos em fibra de carbono e alumínio, amortecedores operados por sistema pushrod (suspensões dianteira e traseira)

Motor: Ferrari Type 056, V8 de 2.4 litros, inclinação de 90°, 32 válvulas com distribuição pneumática, limitado a 18.000 RPM, com bloco de cilindros feito em alumínio, pesando 95 kg, aspirado naturalmente, montado longitudinalmente no centro do carro, integrado com sistema KERS

Transmissão: Ferrari, de sete velocidades e uma marcha ré, semi automática, sequencial, controlada eletronicamente, montada longitudinalmente

Peso: 640 kg (incluindo piloto, água e lubrificante)

Pneus: Pirelli P Zero, com rodas BBS Wheels de 13 polegadas (rodas dianteiras e traseiras)

Combustível: Shell V-Power ULG 66L/2 Fuel

Lubrificante: Shell Helix Ultra Lubrificant

Freios: Brembo, pinças e disco de carbono-carbono

Pilotos:

 5 - Fernando Alonso (espanhol)
 6 – Felipe Massa (brasileiro)

Pontos: 375

Corridas: 19

Vitórias: 1

Poles: 0

Voltas mais rápidas: 3

Posição no Mundial de Construtores: 3° lugar

Resultados nas corridas:
(resultados em negrito indicam pole position; resultados em itálico indicam volta mais rápida; Abd indica abandono)
        
                         Alonso                                                                       Massa
Austrália:            4°                                                                                7°
Malásia:              6°                                                                               
China:                 7°                                                                               6° 
Turquia:              3°                                                                              11°
Espanha:             5°                                                                             Abd
Mônaco:             2°                                                                              Abd
Canadá:             Abd                                                                              6°
Europa:              2°                                                                                 5°
Inglaterra:          1°                                                                                 5°
Alemanha:         2°                                                                                 5°
Hungria:            3°                                                                                 6°
Bélgica:             4°                                                                                 8°
Itália:                 3°                                                                                6°
Singapura:         4°                                                                                 9°
Japão:                2°                                                                                7°
Coreia:              5°                                                                                 6°
Índia:                3°                                                                               Abd 
Abu-Dhabi:      2°                                                                                  5°
Brasil:              4°                                                                                  5°